Branded

Ingénua ou orgulhosa já não sei, pensava que sabia tudo o que ele era capaz, tudo o que ele tinha para oferecer, todas as formas de sentir prazer, todas as formas de dar prazer. Mas agora, atrevo-me a dizer, atrevo-me a confessar que conheces o meu corpo melhor que eu. Conheces cada recanto de mim, cada curva, cada proeminência, cada reentrância, cada expressão, cada reacção. Conheces a dualidade causa-efeito. Sabes que se me tocares aqui ou ali, me vais ter perdida de contentamento, suspirante, trémula, investida em sentir as explosões que sabes provocar. Sabes, com a mestria do conhecimento de mim, qual o momento em que estou pronta para ti, qual o momento em que a minha respiração anuncia um orgasmo. Sabes, com a certeza do domínio que exerces sobre mim, que estou a desfrutar, que te procuro para te sentir entrar, escorregar para dentro de mim. Sabes, como se entrasses na minha cabeça, as palavras que me elevam ao máximo expoente da loucura, as palavras que me condenam a ser tua, as palavras que o meu corpo precisa de sentir esvoaçar por entre os lençóis para me fazer gemer de prazer. Sabes, imbuído da experiência dos amantes, testar os meus limites, levando-me a acreditar que os consigo ultrapassar, levando-me de mão dada na busca do prazer que é nosso. Sabes manobrar-me, monopolizar-me, fazer-me render, explorando-me e levando-me a explorar-me. Sabes-me. E sabes-me sempre bem.

Branded

Se me perguntarem do que mais gosto, respondo que gosto de me perder na tua forma, de te procurar com a boca e de me deliciar com cada pulsar do sangue irrigado, com cada veia saliente de prazer, com cada gota do teu sabor que soltas enaltecido pela língua que te percorre os centímetros. Se me perguntarem do que mais gosto, respondo que gosto de te sentir gemer à medida que te enrosco e te lambo e te humedeço na ânsia de me vires preencher, na ânsia de te manobrar à minha feição e fazer-te sentir como me sinto, eufórica de ti. Se me perguntarem do que mais gosto, respondo que gosto de te tratar, de te tratar bem, de te saciar a fome e a vontade, de te elevar a forma à beira da explosão, à beira do desespero, à beira do sucumbir. Se me perguntarem do que gosto, respondo que gosto de te sentir assim, firme e grande, rijo e molhado, pronto a receber a minha boca, pronto a inundar-me de ti. Se me perguntarem do que mais gosto, eu respondo que gosto da tua tesão. Eu respondo que gosto de ti.

Branded

Mesmo se houvesse mais, ela não queria saber. Todos os caminhos pelos quais enveredasse, a conduziam ao prazer de o sentir, ao deleite de o saborear. Degustava-o muitas vezes mesmo não o tendo ali. Conseguia, apenas usando a sua imaginação, apenas recorrendo à memória e às imagens repartidas pela sua mente, fazê-lo consubstanciar-se-lhe no paladar, fazendo-a escorrer e desejar tomar-lhe o gosto ensandecendo-lhe as papilas gustativas, fustigando-lhe o corpo com a vontade frenética de o ter entregue à sua boca. Gozava em pleno do direito que tinha de sonhar, de imaginar, de o acariciar enquanto se acariciava, de o lamber enquanto se tocava, de o chupar enquanto massajava o cerne da sua luxúria, de deslizar a língua em suaves mimos de prazer enquanto sentia um lago formar-se dentro de si e enlear-se-lhe nos dedos que o substituíam, que o imitavam, que o replicavam. Sabia que era refém do seu sabor, órfã de outros que o quisessem igualar. Sabia que era viciada na sua forma, no seu tamanho perfeito e da sua perícia em a manobrar. Sabia que, mesmo à distância, o poder exercido por aquele corpo, dificilmente a deixaria em repouso, dificilmente a deixaria por saciar, faminta ou saudosa. Haveria de estar sempre a querê-lo e a usá-lo, disso estava certa.

Branded

Há marcas que permanecem indeléveis, profundas, queimadas a ferro em brasa no corpo. Recordam-nos do que foi, do que fomos, do que fizemos, do que somos. São marcas invisíveis, transparecem apenas à luz dos momentos que fazemos questão de guardar no cofre inviolável da memória. E saboreamo-los com a certeza de os querer repetir ad eternum, naqueles precisos termos, naqueles precisos detalhes. Vislumbramos, aquele instante em que se cruzam olhares e se vê o desejo reflectido. Aquele instante em que invadidos por um querer incontornável e desesperante, sentimos o toque dos lábios que desejamos nos beije até à morte. Aquele instante em que manietados pelo conjuro da luxúria sentimos um corpo colar-se ao nosso e invadir-nos do seu calor. Aquele instante em que decidimos deixar-nos pairar na senda do acaso e simplesmente aproveitar o que temos à nossa frente. Aquele instante em que nos deixamos possuir, possuindo. Aquele momento em que encaixamos como peças de um puzzle perfeito e em que o prazer está em construí-lo e desmanchá-lo, desmanchando-nos em simultâneo. Há marcas que ficam, prazeres que se recordam, repetições que se querem, paixões que se revivem, amores que se condenam ao desejo, camas desfeitas e cheiros entranhados.