From (Ela) with Love #2

Desaperta-me o botão que me tapa
Desata-me o laço que me aperta
Rouba-me a decência que camufla
O pedaço de pele que te cobiça

Beija-me nos olhos inflamados
Toca-me nos lábios hipnotizados
Rouba-me a inocência que conspurca
O meu corpo todo de injustiça

Consome-me a pele arrepiada
Deixa-me a morrer deliciada
Rouba-me a solidão que me cerceia
O cárcere de volúpia que te atiça

Suspira-me ao ouvido impropérios
Alimenta-me o ego de carinhos
Rouba-me a lucidez que me escasseia
No corpo e na alma inteiriça.

From (Ela) with Love #1

Tenho a demência de ti
Padeço dela no imaginário do que sou
Carrego nos ombros o peso do que senti
Quando do teu abraço a vida me privou
 Tenho a demência de ti
No corpo que sente o que se faz urgente
Da costela de onde me ergui
Que tão amiúde me mente
Tenho a demência de ti
Padeço dela na secura dos dias
Quando por mais que o que me sorri
Apenas me garante que já o sabias
Tenho a demência de ti
Enterrada no corpo desfeito
Do rasgar do desejo de que me vesti
E que não vejo jamais satisfeito
Tenho a demência de ti
Agarrada no gemer, no arfar, no respirar
Nos pulmões aflitos que não sucumbi
De te querer assim, sem sossegar.