Full Throttle #6

“Sometimes they were together so often that it felt as though they
really were a couple; sometimes weeks and months would go by before
they saw each other. But even as alcoholics are drawn to the state
liquor store after a stint on the wagon, they always came back to each
other.” 

In The Girl With The Dragon Tattoo, Stieg Larsson.

Full Throttle #3

 Na delícia que me ofereces, do teu sabor que vicia, da textura de ti. 

Full Throttle #20

Assim que se deteve nela, sentiu um estremecer repentino, como que uma submissão inesperada, um aperceber-se de que a partir daquele momento seria comandada pelos movimentos hábeis e ávidos de uma boca que lhe conhecia a vontade mais que ninguém. Afastou-lhe as coxas deixando a descoberto o local onde ansiava perder-se. Afastou-lhe subrepticiamente os lábios e procurou-lhe o clitóris que imaginava suculento, inchado, saliente. Lambeu-o e sugou-o demoradamente enquanto ela se contorcia desesperada, encavalitando as ancas, movendo-as ao ritmo de cada espasmo que a língua gulosa e perscrutadora lhe obrigava a sentir. Gemia, ensandecida pelo prazer que lhe cavalgava em todas as terminações nervosas, em pequenas ovações descontroladas. Escorria, jorrava, oferecia os seus sabores em fios de melosas excitações à medida que ele se introduzia com mais força nela, à medida que aumentava a velocidade dos estímulos, à medida que ela se aproximava perigosamente da apoteose. E sem abandonar os seus intentos, deu tudo de si para a sentir contorcer-se e gritar no orgasmo que desde o início lhe quis dar. Depositou-lhe um beijo na boca como que dando-lhe a provar o sabor do seu próprio prazer, observou o seu ar de contentamento, tímido e satisfeito, e de uma estocada só, introduziu-se nela. Afinal, não iam parar por ali, havia sempre mais a saciar.

Full Throttle #15

Corpo a corpo, corpo com corpo. O calor dos dois juntos, colados de tal forma que não há fresta entre as suas peles, contrasta com o frio gélido que o Inverno se encarregou de trazer e resguardam-se assim da frieza que a falta um do outro lhes faz. Não se lembram há quanto tempo se acham assim, apenas sabem que assim se acham, se encontram. E quando assim se encontram, nada mais lhes é oponível. Bastam-se por si sós. Brincam como adolescentes desafiando as regras impostas. Guerreiam como gladiadores na arena de lençóis engelhados, enrugados e desfeitos que os acolhe. Usam, um contra o outro, as armas mais poderosas. O toque, o beijo, o pegar, o manipular, o manobrar, as sílabas sussurradas lentamente ao ouvido compondo arrepios, o entrar, o sair, o lamber, o chupar, o sabor. Corpo a corpo, corpo com corpo. Lutam para se saciarem numa batalha onde, invariavelmente, nenhum perde. Ambos sucumbem à vitória do corpo.

Full Throttle #11



Diego: When you were waiting at the roundabout, for a car to pass on your left, Lena and you kissed.
Mateo Blanco: We kissed? I don't remember that.
Diego: It's a normal kiss, the kind couples give each other out of habit.
Mateo Blanco: The last kiss.
Diego: Yes. Lena didn't die in your arms, like you'd dreamed, but the last sensation she took from this world was your mouth.

Los Abrazos Rotos, Pedro Almodóvar

Full Throttle #21


"It's a dance, a dance no one had to teach me. But it's always my dance. I make the first move which is no move at all. I always just understand that they will eventually find themselves in front of me. Primitive beautiful animals and their bodies responding to the inevitability of it all. It's my dance and I have performed it with finesse and abandon with countless partners. Only the faces change."

Fiona in American Horror Story


Aceitara a vertigem do seu corpo, os seus ímpetos e compulsões desde muito cedo. Aceitara-se na sua plenitude, com todas as suas perversões e obsessões, com todos os seus vícios e imoralidades. Consumia sexo com a naturalidade de quem acorda de manhã para se deslocar para o trabalho, com a persistência e repetição que o seu corpo exigia, com a certeza de que não se prenderia a um corpo só. Procurava em cada parceiro o que faltava no outro, exigia ao próximo o que o anterior lhe havia dado e ainda mais, exigia que se superassem, que o seu prazer fosse o único pensamento que lhes cruzasse a mente e a libido. Alimentava-se da aura de satisfação que cada um lhes oferecia, como que enchendo um copo de vinho que esvaziaria de um gole só, com a ânsia de se inebriar e de sentir as tonturas próprias do descontrolo, da falta de domínio, do formigueiro que lhe percorria a pele quando vislumbrava o próximo alvo, o próximo objecto de prazer. Usava os corpos que se deitavam na sua cama mas nunca os deixava permanecer. Ficar era monótono e as palavras atravessavam-se no meio do prazer, acabaria por ter de responder a perguntas, por ter de fingir ser quem não era, por demonstrar carinho que não sentia, por receber olhares invasivos do seu íntimo que preferia guardar fechado a cadeado no peito. Não se apaixonava. Amava-os todos e a cada um, amava-os pela voz rouca de um gemido, pela barba que se roçava excitante, pelas mãos com a forma certa e os dedos com o jeito ideal, pela língua serpenteante, pelo membro erecto e viril, pelos braços musculados, pela tatuagem perdida, pelo "puta!" gritado em desespero, pelo ondulante manusear dos quadris, pela destreza em a fazer vir, pelo fôlego que lhe sabiam tirar. E dançava, assim, pousando de corpo em corpo, atraindo-os com o pólen do desejo, com a sedução da luxúria, com o ofertar do prazer em tangos improváveis e irrepetíveis.

Full Throttle #17

Ela tinha uma missão: servi-lo incondicionalmente, tornar-se a amante perfeita, satisfazer todas as necessidades, saciar cada capricho, cada vontade, dar-lhe tudo para nada lhe faltar. Qual estudiosa autodidacta, testou os seus limites, entregando-se ao prazer de lhe dar prazer. Ambicionava à perfeição de o servir, de lhe disponibilizar o corpo para seu deleite, de o sentir pleno nos seus braços, de o sentir saciado com cada entrega. Gravava nos recantos da memória o rosto do seu prazer, a expressão do desejo, o sorriso do orgasmo e catalogava tudo separando as etiquetas por intensidade, quantidade, tesão, paixão, carinho. Tomava-lhe o pulso, guiando-se pelas sensações que ele lhe transmitia, estimulava-o visualmente, provocando a volúpia do seu olhar. E sempre que o sentia por perto, o seu corpo traía-a e o seu coração seguia-lhe as pisadas. Sentia-se impotente perante os sinais que a sua libido lhe enviava, resplandecentes, impossíveis de ignorar. A ideia de o poder tomar, de lhe sentir o toque, de o sentir preencher-lhe o corpo, de o sentir lamber-lhe as entranhas, de sentir os seus lábios abarcarem-na toda eram facas que lhe trespassavam a mente impedindo-a de manter a razão. E no auge da sua loucura, perpassava-lhe o corpo a vontade de o ter todo. Manobrá-lo intensamente, tirar-lhe as medidas que já conhecia de cor, inebriar-se do sabor inconfundível que a mantinha viciada e investida em lhe dar prazer. Tomava-o nas mãos e deliciava-se nele, perdendo-se no tempo, reconhecendo cada pormenor do membro que era seu e do qual não conseguiria jamais abdicar. Beijava-o delicadamente primeiro, lambendo toda a sua extensão, mordiscando aqui e ali. Torneava-o com a língua enquanto os lábios se apoderavam de cada centímetro de pele. Tomava-o inteiro depois, humedecendo-o, chupando-o sem parar. Detinha-se em pequenos segundos para de novo recomeçar, dando-lhe tempo de o saborear, de o sentir gozar cada gesto, cada carícia. Preparava-o para depois o sentir escorregar para dentro de si, inequívoco e carnal. Tinha uma missão, tentava convencer-se disso. Mas, concluía sempre, que de serva passava rapidamente a ser servida. Que aquela era uma entrega a dois, em que dando sem esperar nada em troca, acabava por receber tanto quanto de si havia oferecido, que o prazer que dava por vezes retornava em dobro. E satisfazia-se, satisfazendo. 

Full Throttle #2

"Quando o querer é verdadeiro, amar e foder significam exactamente a mesma coisa. E esta é coisa que não se explica. Falta sabedoria às palavras. À palavras inteligíveis sujeitas ao sufoco das regras. Quando os corpos se unem pela vontade e pelo querer, as regras vão-se para os primórdios animalescos da verdade humana. Vão-se para esses tempos recuados em que as palavras não enganavam. Em que os grunhidos e gemidos faziam justiça às emoções que moviam os corpos. Que falta me faz o animal! Que saudades do primitivo. Eu sou isso!"

In Sexo off the record, Paula Santiago.

Full Throttle #1

"Ordena que te ame,
E odeia quando falho,
mas usa, abusa de mim e eu serei feliz,
até ao fim.
Ordena que te queira,
E odeia quando paro,
Leva-me, arrasta o meu corpo,
Desfeito em pó.
Ordena que te ame,
E odeia quando falho,
mas usa e abusa de mim e eu serei feliz,
até ao fim."

(Mundo cão)

Full Throttle #10



Se houver outra forma, eu não quero. Quero assim.
 
"Estávamos sempre a foder, ou a recuperar, ou a prepararmo-nos para foder. Em nada afectava o nosso amor. Tanto suspirávamos como arfávamos; tanto dizíamos carinhos como palavrões: era-nos igual. A coisa funcionava sozinha. Se exigisse algum esforço da nossa parte, teria fracassado. É uma consolação que resta. O amor é fodido, mas foder também."

Miguel Esteves Cardoso in "O Amor é fodido"